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Limpeza sustentável: como higienizar sem degradar a saúde e o meio ambiente

09 maio 2017

Diariamente utilizamos uma infinidade de produtos de limpeza para garantir a higienização de ambientes. O processo é essencial para a saúde humana, pois evita a proliferação de doenças e bactérias. Sabão, desinfetante, detergente e água sanitárias estão entre os saneantes mais comuns. No entanto, você já se perguntou o que acontece com os resíduos desses produtos depois que eles são descartados e entram em contato com a rede de esgoto? A resposta mais frequente para essa pergunta é: poluição.

De acordo com uma pesquisa realizada pela ONG SOS Mata Atlântica, que avaliou a qualidade da água de rios, córregos, lagos e bacias hidrográficas do bioma, dos 240 pontos de coleta, apenas 2,5% possuem uma qualidade boa do recurso, enquanto 70% estão em situação regular e 27,5% com qualidade ruim ou péssima. Esses dados evidenciam um problema grave em relação a um recurso que é essencial para a manutenção da vida.

O levantamento, que foi realizado entre março de 2016 e fevereiro de 2017 em 73 municípios de 11 estados da Mata Atlântica, incluindo o Distrito Federal, indica que a poluição é uma das principais causas para essa realidade. As capitais urbanas do país são as mais afetadas, em função dos baixos índices de coleta e tratamento de esgotos. Além disso, nesses locais há uma maior recorrência de córregos e rios sem proteção de matas ciliares, retificados e com ocupação irregular de moradias em suas margens, o que contribui para o aumento dos lançamentos de resíduos poluentes, entre eles os provenientes de produtos de limpeza.

 

Por que esses produtos podem ser considerados poluentes?

Os produtos de limpeza possuem diversas substâncias e agentes com propriedades específicas. Uma categoria é a de substâncias tensoativas, presentes no sabão em pó e no detergente e responsáveis por diminuir a tensão entre dois líquidos – como, por exemplo, no caso da água e do óleo, facilitando a mistura dos dois. Quando despejados de forma irresponsável em ecossistemas aquáticos, interferem no nível de oxigênio da água. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, é responsável por regular e fiscalizar diversos produtos, entre eles os saneantes. Para diminuir os impactos desses agentes no meio ambiente, foi determinado pelo órgão que todos devem conter tensoativos biodegradáveis, justamente para evitar os problemas acima citados.

Outros compostos, como os agentes sequestrantes, também podem impactar negativamente na natureza. Eles têm como função melhorar o poder de limpeza dos produtos. A maioria é composta por fosfatos – cujos níveis também são controlados por lei. O problema é que o acúmulo de fosfato na água provoca efeitos indesejáveis: em contato com a água, formam uma espuma que atrapalha a entrada de luz, afetando a fotossíntese realizada por organismos aquáticos. Esse fenômeno da espuma tóxica é comum em trechos do rio Tietê, por exemplo, principalmente em cidades como Salto e Pirapora do Bom Jesus, no interior de São Paulo. Outra consequência é a multiplicação de algas em excesso. Os dois processos alteram e prejudicam a oxigenação da água.

Corantes e fragrâncias são usados para atrair os consumidores, mas podem prejudicar pessoas mais sensíveis, causando alergias, irritações e ressecamento na pele. Além desses efeitos, no meio ambiente, tais substâncias alteram a química da água, principalmente se forem produzidos a partir de matérias sintéticas.

Outros aditivos sintéticos como conservantes, responsáveis pela durabilidade dos produtos, mesmo que usados em pequenas quantidades, podem afetar a fauna aquática. Geralmente, conservantes contém antioxidantes, anti-sépticos e fungicidas. Produtos de limpeza à base de cloro também são altamente prejudiciais por conter mercúrio e metais pesados, substâncias que contaminam a água e solos.

 

O que fazer para evitar esses problemas?

Pensando em alternativas para reduzir os impactos desse produtos nas redes de esgoto e, consequentemente, nos rios e mares, fabricantes e empresas têm buscado fórmulas mais naturais e eficientes.

A Orbenk, empresa especializada no setor de serviços de limpeza, possui um departamento especialmente dedicado ao desenvolvimento de novos processos com foco na sustentabilidade, mostrando que é possível higienizar os ambientes sem grandes impactos ambientais. Além de utilizar produtos e insumos com fórmulas biodegradáveis, a companhia proibiu o uso de compostos ácidos e substituiu detergentes com alto teor de espuma. Outra escolha foi as lavadoras automáticas de piso com sistema ec-H2O, tecnologia que consegue converter a água em solução detergente, o que reduz em 70% do seu consumo e 100% o consumo de produtos químicos

“O futuro da limpeza profissional alia tecnologia à sustentabilidade. Quando esses dois elementos se juntam, geramos eficiência e consolidação dos nossos negócios”, conta Fabio Eiiti Yamashita, Gerente de Planejamento & Desenvolvimento. De acordo com ele, a empresa possui uma área técnica formada por engenheiros que analisam, testam e homologam todos os produtos químicos utilizados na operação, dessa forma a eficiência e a pegada ecológica dos processos e produtos ficam garantidas.

Yamashita também afirma que adotar esse diferencial nos serviços de limpeza, gerou uma economia anual de 7 milhões de litros de água, reduziu em 7% o consumo de energia elétrica e deixou de utilizar mais de 100 mil unidades de embalagens plásticas. As boas práticas renderam a Orbenk o Prêmio Eco em 2016.

 

Certificações e regulações

Para o consumidor, a dica é buscar produtos que tenham ingredientes naturais e que sejam biodegradáveis. Há diversas selos que certificam a autenticidade e confiabilidade de saneantes sustentáveis, como o IBD, que realiza a auditoria dos processos e materiais usados. Outra alternativa é usar soluções caseiras: vinagre e bicarbonato de sódio, por exemplo, tem um poder de limpeza e causam menos impactos que produtos industrializados.
É comum encontrarmos detergentes, águas sanitárias e desinfetantes sendo comercializados de forma irregular, sem rótulo com indicação da composição química, por exemplo. Esses tipos de produtos podem gerar grandes prejuízos, portanto, o seu consumo deve ser evitado.

A Anvisa realiza teste para comprovar a eficácia dos produto de limpeza e determina as concentrações mínimas de substâncias para cada fórmula. No mercado informal, esse tipo de fiscalização não ocorre, por isso, não há garantias de eficiência e nem de segurança, já que o produto pode apresentar concentrações altas de substâncias causadoras de externalidades como alergias e intoxicações.

Matéria extraída de: http://economia.estadao.com.br/blogs/ecoando/limpeza-sustentavel-como-higienizar-sem-degradar-a-saude-e-o-meio-ambiente/